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Cássio Navarro

Autismo: transtorno acomete mais de 2 milhões de pessoas no Brasil

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais de 2 milhões de autistas no Brasil. Também conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), o autismo é uma condição que afeta o sistema nervoso do organismo, marcado principalmente por sintomas como a dificuldade na comunicação e nas interações sociais, interesses obsessivos e comportamentos repetitivos. Mas não são apenas as pessoas diagnosticadas com o autismo que sofrem com o transtorno, familiares e amigos também são afetados. Uma das razões para isso, talvez a principal delas, é a falta de conhecimento sobre o transtorno, inclusive da própria família. Com pouca ou nenhuma informação a respeito, grande parte da população não o entende de fato e tende a discriminar ou menosprezar seus portadores, assim como aqueles que estão à sua volta.

Normalmente, o autismo costuma ser identificado na infância, entre 1 ano e meio e 3 anos de idade, embora os sinais iniciais possam ser vistos já nos primeiros meses de vida. Foi o que aconteceu com João Pedro, da Praia Grande, hoje com 6 anos. Poucos meses após o nascimento, sua mãe, Ana Silvia, percebeu que João chorava bastante, mais que o normal, e que quando completou 1 ano suas dificuldades para algumas coisas ficaram mais evidentes. “Quando ele começou a ficar mais velho passei a notar coisas muito diferentes. Crianças adoram repetições, mas com ele isso era muito mais acentuado. Além disso, ele passou a falar muito alto ao se comunicar e até a gritar, inclusive dentro de casa, por até 40 minutos sem parar. Comecei a acreditar que era algo diferente, mas não imaginava o que de fato. Quando ele completou 2 anos cheguei a conclusão de que precisava de ajuda”. Após consultar diferentes médicos, Ana chegou a uma psiquiatra infantil que lhe deu o que procurava, orientação. Emocionalmente abalada, vendo o sofrimento de seu filho e não sabendo como ajudar, ela só queria entender o que estava acontecendo. “Eu sentia que ele sofria, porque aquele choro era de sofrimento. De madrugada ele acordava de duas em duas horas berrando, eu ia tentar acalmá-lo e ele me batia, me mordia no rosto. Consequentemente eu não dormia, ficava estressada, e quanto mais irritada você fica menos você raciocina, fica cada vez pior”. Na primeira consulta com a psiquiatra, foram feitas várias perguntas e exames, e Ana saiu do consultório mais tranqüila. No dia seguinte, no caminho para deixar João na escola, seu marido disse que pesquisou na internet e que viu que tudo indicava para que seu filho fosse diagnosticado com autismo. Algo que não esperava e que se confirmou.

Ana tinha pouco conhecimento sobre o autismo e ao ouvir a notícia só conseguia pensar que esse era um transtorno associado a crianças sem futuro, que apenas ficavam fazendo movimentos com o tronco em forma de pêndulo. Foi quando começou a chorar sem parar e passou a não conseguir olhar para João como filho, apenas como uma criança autista. “Meu marido também ficou muito mal e sofremos muito. Foram dias terríveis. Até que resolvi ligar para meu pai, quando ele me disse algo que mudou tudo: ‘Ana, quando você vai olhar o João Pedro como seu filho? Independentemente de qualquer diagnóstico, ele é o seu filho’. Aquilo me fez acordar e a ser determinada para ver o que ele tem de melhor e a fazer de tudo por ele”.

Depois disso, Ana passou a estudar mais sobre o transtorno, suas possibilidades e descobriu que o autismo não era somente aquilo que conhecia, que era muito mais e que seus portadores têm muito a crescer e a oferecer. “É isso que as pessoas precisam saber. Elas precisam conhecer mais sobre o autismo e ver que ele não é apenas aquilo que olhamos em um primeiro momento. Principalmente os pais, que são os primeiros a ter preconceito, a não aceitarem o diagnóstico. O quanto antes as pessoas deixarem de ter preconceito, pararem de negar e continuarem fazendo tudo o que puderem, seus filhos irão melhorar, de uma forma ou de outra”.

Ciente das dificuldades enfrentadas pelos portadores de autismo e por todos os seus familiares, o deputado Cássio Navarro redigiu um novo projeto de lei que beneficia todos os autistas com atendimento prioritário em estabelecimentos públicos e privados do Estado. O projeto n° 220/2017 obriga a inserção do símbolo mundial da conscientização do autismo nas placas de atendimento preferencial (a imagem da “fita quebra-cabeças”). Já aprovado pela Assembléia Legislativa do Estado e sancionado pelo governador do Estado no dia 9/6, o projeto determina que o descumprimento da nova lei implica em advertência por escrito na primeira autuação e multas nas demais.

Cássio Navarro diz que a população precisa conhecer mais sobre o assunto e só assim vai reconhecer e respeitar os benefícios que os portadores e seus familiares necessitam. “Esta Lei, além de garantir atendimento mais rápido aos autistas, é uma forma de dar mais visibilidade ao transtorno.” Para Ana Silvia, a aprovação dessa lei é um grande passo para a sociedade na luta pelo reconhecimento do autismo. “Fiquei extremamente feliz que o Cássio tenha conseguido essa vitória para nós. Estávamos aguardando muito por isso. Espero que esse seja um grande começo e que a partir disso as pessoas comecem a buscar esse conhecimento e essa conscientização sobre o autismo”.